A ideia de “horas líquidas” (aquelas em que o aluno estaria totalmente concentrado, sem distrações) ganhou força nos últimos anos, especialmente entre concurseiros. Cronometrar o tempo de estudo virou quase um ritual, tratado por muitos como principal indicador de produtividade. Mas esse modelo começa a ser questionado por especialistas, que defendem uma mudança de foco: mais importante do que contar horas é entender como se estuda.
Para Marco Brito, diretor pedagógico do curso CENTRAL DE CONCURSOS, o conceito tem utilidade, mas não deve ser tratado como regra absoluta. “O aluno passou a acreditar que acumular horas é sinônimo de evolução. Só que, na prática, o que faz diferença é o quanto ele realmente absorve daquele conteúdo”, afirma.
Isso não significa abandonar o controle do tempo. Organizar a rotina e manter disciplina continuam sendo pontos fundamentais, sobretudo para quem precisa conciliar estudo com trabalho. O problema, segundo Brito, surge quando o cronômetro deixa de ser uma ferramenta e passa a ser o objetivo final.
“Há alunos que passam cinco ou seis horas diante do material, mas com baixo nível de concentração. Alternam entre leitura superficial, pausas constantes e pouca revisão. No papel, parece um bom desempenho. Na prática, o aprendizado é limitado”, explica.
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Para o diretor pedagógico da CENTRAL DE CONCURSOS, a prática mostra isso no dia a dia. Segundo ele, estudar com foco por períodos menores, fazendo pausas regulares, costuma render mais do que passar horas seguidas apenas lendo ou grifando conteúdo. Em vez de tentar avançar rapidamente pelas páginas, o estudante que resolve questões, testa o próprio conhecimento e revisa de forma ativa tende a fixar melhor a matéria.
Para Brito, essa mudança de postura também ajuda a reduzir um problema comum entre concurseiros: a sensação de estagnação. Quando o critério de produtividade é apenas o número de horas, muitos acabam frustrados, mesmo mantendo uma rotina intensa.
“Isso gera uma cobrança desproporcional. O aluno deixa de avaliar o que realmente aprendeu e passa a se julgar apenas pelo tempo que conseguiu estudar”, observa Brito.
Insistir em horas líquidas é cenário pouco realista
Em um cenário cheio de distrações (celular, redes sociais e notificações constantes), manter concentração total por longos períodos é cada vez mais difícil. Por isso, insistir na ideia de horas perfeitamente “limpas” pode ser pouco realista. Na prática, o mais eficiente é buscar constância e qualidade dentro da própria rotina.
Outro ponto importante é a forma de medir o progresso. Mais do que registrar horas, Brito recomenda acompanhar o desempenho por meio de exercícios, simulados e revisões periódicas. Segundo ele, esses indicadores mostram com mais clareza se o conteúdo está sendo realmente assimilado.
“Resultado não se mede pelo tempo sentado na cadeira, mas pela capacidade de entender, reter e aplicar o conhecimento.”
Em um ambiente competitivo como o dos concursos públicos, essa diferença pode ser decisiva. Muitos candidatos acumulam longas jornadas de estudo, mas nem todos conseguem transformar esse esforço em desempenho.
“No fim das contas, estudar melhor, com estratégia e atenção, tende a ser mais eficiente do que simplesmente estudar mais. E, para quem busca aprovação, essa pode ser a diferença entre esforço e resultado”, finaliza Brito.
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