A necessidade urgente de recomposição do quadro de pessoal do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) voltou ao centro dos debates em Brasília. Em audiência pública promovida pela Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da Câmara dos Deputados, na última terça-feira, 1º de setembro, lideranças sindicais e representantes dos trabalhadores defenderam a abertura de um novo concurso INSS e cobraram a inclusão de verbas na LOA (Lei Orçamentária Anual) para a criação de cerca de 20 mil vagas na autarquia.

Durante o encontro, os debatedores também defenderam o aproveitamento dos aprovados do último concurso, como uma medida paliativa frente à enorme carência de pessoal. No entanto, segundo representantes da Federação Nacional de Saúde e Previdência (Fenasps), o déficit acumulado de servidores atingiu um patamar tão crítico que a convocação integral dos remanescentes do Concurso Nacional Unificado (CNU) – para a carreira de analista do seguro social – não resolverá o estrangulamento operacional do órgão.

Para a Fenasps, a saída exige um duplo esforço do governo federal: chamar imediatamente todos os aprovados que aguardam vaga e, em paralelo, garantir margem orçamentária para viabilizar um novo edital já no ano que vem.

Outro ponto central da audiência foi o repúdio dos trabalhadores a eventuais planos de terceirização de serviços administrativos dentro da autarquia. As entidades presentes sustentam que terceirizar funções essenciais, além de custar mais caro aos cofres públicos, precariza o atendimento prestado à população.

Diante do avanço dessas propostas, lideranças sindicais afirmaram já ter formalizado queixas junto a parlamentares e ao próprio Executivo Federal, e não descartam acionar o Ministério Público Federal (MPF) e o Tribunal de Contas da União (TCU) para barrar a medida.

O debate foi convocado pelo deputado federal Reimont (PT-RJ), que chamou a atenção para o impacto direto da falta de pessoal na vida dos segurados. Na avaliação do parlamentar, o sucateamento do quadro, somado ao salto na demanda de pedidos de benefícios, penaliza justamente as parcelas mais vulneráveis da sociedade, como idosos, pessoas com deficiência e famílias de baixa renda.

A pressão por novas contratações ocorre em um momento de incertezas quanto ao aproveitamento de candidatos aprovados para analista do seguro social no CNU.

O INSS chegou a solicitar formalmente ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) o aval para convocar 675 analistas do seguro social além do contingente inicial de 300 vagas. Esse pedido visava reforçar especialidades cruciais, como Serviço Social (300 vagas) e Fisioterapia (150 vagas), além de áreas de Psicologia, Engenharia, TI, Direito e Administração.

No entanto, o MGI deu sinal verde para a nomeação de apenas 160 excedentes para a carreira de analista, número considerado muito aquém das reais necessidades do instituto pelas entidades que representam os servidores.

Além de parlamentares e membros do MGI, da Casa Civil e do próprio INSS, o encontro na Câmara reuniu porta-vozes da Comissão Nacional dos Aprovados do Cadastro de Reserva do INSS (CNU2), da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Seguridade Social (CNTSS/CUT), da Fenasps, da Fenas, da Fenapsi e da FenaPestalozzi.

MGI analisa pedido de concurso para 10 mil vagas

Em paralelo a isso, tramita no MGI um pedido de concurso, feito este ano pelo INSS, para abertura de 10 mil vagas em 2027, sendo 8.501 para técnico do seguro social e 1.499 para analista do seguro social.

Havia a expectativa de que o concurso INSS fosse autorizado no primeiro semestre deste ano, antes do início do período eleitoral. No entanto, isso não acabou acontecendo.

Embora reconheça a necessidade de contratação de novos servidores para o INSS, o governo priorizou autorizar, até o dia 3 de julho, os certames para a Receita Federal, Banco Central, Advocacia-Geral da União (AGU), Controladoria-Geral da União (CGU) e Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD).

No dia 4 de julho, teve início o período eleitoral, que irá até o dia 4 de janeiro. Não existe proibição para a divulgação de editais ou autorizações de concursos ao longo desta janela de tempo. No entanto, para que tais medidas não sejam interpretadas como objeto de campanha, o governo federal optou só dar aval a novos certames após a eleição presidencial.

O primeiro turno acontecerá no dia 6 de outubro, Já o segundo, caso haja necessidade, ocorrerá no dia 30 do mesmo mês. Até lá, o governo avaliará com calma e criteriosamente uma série de pedidos de concursos feitos por dezenas de ministérios, órgãos e autarquias, entre os quais está o INSS.

A expectativa é de que, tão logo saia o resultado da eleição presidencial, o MGI retome a autorização de concursos para 2027 e que o INSS seja contemplado com aval para a contratação de novos servidores, já que a autarquia possui carência de mais de 20 mil servidores.

Vale lembrar que, no início de maio, ao anunciarem no Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS) o programa “Acelera INSS”, para reduzir a fila de análise processos de benefícios que tramitam na autarquia, a presidente do instituto, Ana Cristina Silveira, e o ministro da Previdência, Wolney Queiroz, informaram que seria aberta uma seleção para contratação de 2 mil novos servidores. 

Esse anúncio de contratação de 2 mil novos servidores, por meio de concurso, ocorreu antes mesmo de ser divulgado que o INSS havia encaminhado ao MGI o pedido de 10 mil vagas.

Técnico e analista: confira escolaridades e remunerações

A carreira de técnico do seguro social exige o nível médio e tem remuneração de R$6.652,76, para carga de 40 horas semanais. Esse valor é composto da seguinte forma:

* Vencimento-base – R$723,83;
* Gratificação de Atividade Executiva (GAE) – R$1.158,13;
* Gratificação de Desempenho de Atividades do Seguro Social (Gdass) – R$3.578,80 (80 pontos);
* Auxílio-alimentação – R$1.192.

No entanto, após alguns meses, a Gdass passará de 80% (R$3.578,80) para 100% (R$4.473). Com isso, a remuneração atinge o valor de R$7.546,96.

Para analista do seguro social, carreira que exige formação superior (várias áreas), a remuneração atual é de R$9.622,31, para carga de 40 horas semanais. Esse valor é composto da seguinte forma:

* Vencimento-base – R$1.019,35;
* Gratificação de Atividade Executiva (GAE) – R$1.630,96;
* Gratificação de Desempenho de Atividades do Seguro Social (Gdass) – R$5.780 (80 pontos);
* Auxílio-alimentação – R$1.192.

No entanto, após alguns meses, a Gdass também passará de 80% (R$5.780) para 100% (R$7.225). Dessa maneira, a remuneração chegará a R$11.067,31.

Esses valores constam na Tabela de Remuneração dos Servidores Públicos Federais (referência maio/2026), disponível no site Servidor.GOV.

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O último concurso INSS para para técnico do seguro social aconteceu em 2022 e trouxe oferta de mil vagas imediatas, sendo 191 destinadas ao Estado do Rio de Janeiro, distribuídas pela capital e pelas cidades de Niterói, Duque de Caxias, Petrópolis, Volta Redonda e Campos dos Goytacazes.

Durante os dois anos de validade do concurso (já com a prorrogação), o INSS foi autorizado preencheu as mil vagas em edital, além de outras 550 que foram liberadas posteriormente pelo governo federal.

O concurso INSS para técnico do seguro social, que reuniu 1.023.494 de inscritos (161.312 no Estado do RJ), teve organização do Cebraspe. Na época, os candidatos fizeram apenas uma prova objetiva. Os mil melhores classificados foram convocados para o curso de formação.

A prova objetiva para técnico do seguro social foi composta por 120 itens, sendo 50 de Conhecimentos Básicos (Língua Portuguesa, Ética no Serviço Público, Noções de Direito Constitucional, Noções de Direito Administrativo, Noções de Informática e Raciocínio Lógico) e 70 de Conhecimentos Específicos (Legislação Previdenciária e de Seguridade Social).

Os aprovados e classificados no concurso INSS são contratados pelo regime estatutário, que assegura estabilidade no emprego.

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