Os candidatos que miram o próximo concurso Bacen devem ficar atentos: o cargo de técnico do Banco Central, hoje aberto a quem tem ensino médio, pode passar a exigir diploma de graduação.
A alteração foi aprovada pelo Senado Federal na última quarta-feira, 28 de outubro, durante a votação do Projeto de Lei de Conversão (PLV) nº 12/2026, que tem origem na Medida Provisória (MP) nº 1.375/2026.
Na terça-feira, 27, a Câmara dos Deputados já havia dado sinal verde ao texto, que agora aguarda a sanção ou não do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.
O novo requisito pode atingir diretamente a concurso em preparação pelo Banco Central, que tem 170 vagas autorizadas, das quais 50 são para técnico (as outras 120 são para analista, carreira de nível superior).
Se a regra entrar em vigor antes da publicação do edital, o certame deixará de ofertar oportunidades de nível médio, e os interessados em ingressar na carreira de técnico terão de comprovar formação superior.
A exigência de graduação não constava da proposta original. Ela foi acrescentada ao longo da tramitação da MP no Congresso Nacional, por meio de emenda do deputado federal Luiz Couto, e acabou incorporada ao PLV nº 12/2026, aprovado pelas duas Casas.
A atualização da escolaridade é uma demanda histórica do Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central (Sinal). A entidade sustenta que as funções exercidas pelos técnicos ficaram mais complexas com o passar dos anos, o que justificaria a exigência de maior qualificação.
Após a votação no Senado, o sindicato celebrou o resultado e informou que seguirá mobilizado pela sanção. Em nota divulgada na quinta-feira, 29, destacou que a medida atende a um pleito de mais de 20 anos dos servidores. O Sinal defende ainda que a sanção seja rápida e sem vetos, e pede que o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, participe das articulações com o Governo Federal.
Apesar do avanço, a mudança ainda não é definitiva. O projeto segue para o presidente da República, que pode sancioná-lo integralmente ou vetar trechos, como apenas a alteração da escolaridade da carreira de técnico. Só depois da sanção e da entrada em vigor da regra será possível confirmar se ela valerá para o próximo edital, cujos requisitos também precisarão constar no documento oficial.
Prazo para divulgar edital vai até o dia 3 de janeiro
Conforme portaria do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) que autorizou o concurso Bacen, o edital terá que ser divuçgado até 3 de janeiro de 2027.
As 170 vagas autorizadas estão distribuídas da seguinte forma:
- Técnico – 50 vagas;
- Auditor (antigo analista) – 100 vagas;
- Procurador – 20 vagas.
Atualmente, a carreira de técnico exige o nível médio e tem remuneração inicial de R$9.492. Para auditor, cujo ordenado é de R$21.192, exige-se nível superior em qualquer área de formação. Os valores já incluem R$1.192 de auxílio-alimentação.
Já para concorrer a uma vaga de procurador é necessário ter formação em Direito, inscrição ativa na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e, no mínimo, dois anos de prática jurídica. Neste caso, a remuneração é de R$28.456,30, também incluindo o valor do auxílio-alimentação.
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As 20 vagas para procurador serão oferecidas em um concurso unificado com outras carreiras jurídicas da AGU. Já as outras 150 de técnico e auditor serão contempladas em um edital próprio do Banco Central.
Ainda segundo a portaria que autorizou o concurso Bacen, o prazo mínimo entre a publicação do edital e a realização da primeira prova do certame será de dois meses.
No momento, o Banco Central trabalha na definição da organizadora. O Plano de Contratação Anual (PCA) de 2026 da instituição previa que a banca que receberá as inscrições e aplicará as provas seria contratada até o dia 16 de outubro, o que não aconteceu.
A reportagem da DEGRAU CULTURAL já entrou em contato com a Assessoria de Imprensa do Banco Central do Brasil para confirmar se a organizadora já foi escolhida e quando ocorrerá a contratação, mas ainda não obteve um retorno.
Outro ponto questionado à assessoria do banco é quanto à lotação dos aprovados. Até o momento, não há informações se todas as 170 vagas do novo certame serão ou não para atuação em Brasília, assim como aconteceu no último concurso Bacen, aberto em 2024 (apenas para analista).
Sabe-se que o banco possui também representações nas seguintes cidades:
* Rio de Janeiro;
* São Paulo;
* Belo Horizonte;
* Porto Alegre;
* Curitiba;
* Fortaleza;
* Recife;
* Salvador;
* Belém.
A expectativa é de que, tão logo a banca organizadora seja contratada, os principais detalhes do concurso Bacen, que incluem também data de divulgação e de aplicação de provas, possam ser revelados pelo banco.
Técnico e analista: veja detalhes do último concurso
O último concurso Bacen para auditor (antigo analista) aconteceu em 2024 e o prazo de validade foi encerrado em 11 de março deste ano. Na época, o certame reuniu 38.420 inscritos na disputa por 100 vagas em Brasília, sendo 50 para especialidade de Economia e Finanças e 50 para a de Tecnologia da Informação. A seleção foi organizada pelo Cebraspe.
Na época, os candidatos foram avaliados por meio de provas objetiva, discursiva e de títulos. A primeira foi composta por 120 questões, sendo 50 de Conhecimentos Básicos (comum às duas especialidades) e 70 de Conhecimentos Específicos, distribuídas da seguinte forma:
CONHECIMENTOS BÁSICOS
* Língua Portuguesa – 25 questões;
* Noções de Lógica e Estatística – dez questões;
* Direito Administrativo – cinco questões;
* Fundamentos de Microeconomia e Macroeconomia – dez questões;
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS – ANALISTA TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO
* Ciências de Dados – 14 questões;
* Segurança da Informação – sete questões;
* Engenharia de Software – 24 questões;
* Infraestrutura em TI – 17 questões;
* Banco de Dados – quatro questões;
* Gestão em TI – quatro questões;
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS – ANALISTA ECONOMIA E FINANÇAS
* Macroeconomia – 18 questões;
* Microeconomia – dez questões;
* Finanças – 18 questões;
* Estatística e Econometria – 12 questões;
* Contabilidade de instituições financeiras padrão Cosif (plano contábil das instituições do sistema financeiro nacional) – 12 questões.
Já as avaliações discursivas foram compostas da seguinte forma:
- Uma dissertação de até 40 linhas, sobre Atualidades;
- Uma questão dissertativa envolvendo situação-problema, em até 80 linhas, sobre Conhecimentos Específicos do cargo/área.
Já o último concurso Bacen para técnico aconteceu em 2013. Na época, foram ofecidas 100 vagas, sendo 78 para a área de Suporte Técnico-Administrativo e 22 para a área de Segurança Institucional.
Na ocasião, o concurso Bacen para técnico teve organização do Cespe/UnB (atual Cebraspe), a prova objetiva foi composta por 120 questões, sendo 60 de Conhecimentos Básicos (comum às duas áreas) e 60 de Conhecimentos Específicos. As disciplinas cobradas à época foram as seguintes:
CONHECIMENTOS BÁSICOS
* Língua Portuguesa;
* Noções de Direito Constitucional;
* Noções de Direito Administrativo;
* Gestão Pública;
* Informática para Usuários;
* Raciocínio Lógico-Quantitativo.
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS (SUPORTE TÉCNICO-ADMINISTRATIVO)
* Fundamentos de Contabilidade;
* Fundamentos de Gestão de Pessoas;
* Fundamentos de Gestão de Recursos Materiais.
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS (SEGURANÇA INSTITUCIONAL)
* Gestão de Riscos, Continuidade de Negócios e Inteligência;
* Segurança Física, Operacional e Pública;
* Noções de Fiscalização de Contratos Terceirizados Relativos à Segurança.
Os candidatos a técnico de concurso Bacen 2013, também foram submetidos a uma avaliação discursiva, que aconteceu no mesmo dia da objetiva.
A prova discursiva foi uma redação de texto dissertativo, desenvolvida em até 30 linhas, abordando assuntos relacionados a Conhecimentos Específicos.
Os classificados dentro das 100 vagas imediatas oferecidas à época foram submetidos a um programa de capacitação (curso de formação).
Os aprovados e classificados no novo concurso Bacen serão contratados pelo regime estatutário (garantia de estabilidade).
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