Entre novembro e fevereiro, o calendário se enche de feriados, emendas e festividades, e para quem estuda para concursos isso traz sempre a mesma dúvida. Vale aproveitar essas datas para descansar ou para colocar os estudos em ordem? Segundo o diretor pedagógico da CENTRAL DE CONCURSOS, Marco Brito, a resposta não é a mesma para todo mundo e depende do momento em que cada candidato se encontra na preparação.

O tamanho da dúvida fica claro quando se olha o calendário. Novembro começa com o feriado de Finados na segunda-feira, dia 2, que forma um fim de semana prolongado de três dias. A Proclamação da República, em 15 de novembro, cai num domingo e por isso não gera folga extra, mas no dia 20, uma sexta-feira, o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra traz outro fim de semana de três dias.

Logo depois chegam as festas de fim de ano, com o Natal e o Ano Novo caindo em sextas-feiras e emendando com o fim de semana, o que costuma desorganizar a rotina de muita gente. Em fevereiro, o ciclo se fecha com o carnaval, onde a folia inicia na sexta, dia 5, e encerra na Quarta-Feira de Cinzas, no dia 10.

Para Brito, a decisão de aproveitar ou não os feriados e festividades começa por duas perguntas simples: qual nível de preparo que o candidato já alcançou? Qual o tempo que ainda falta para a prova?

“Feriado não é aliado nem inimigo do estudo, é só tempo disponível. O que muda o resultado é a distância da prova e o ponto em que o aluno está”, afirma.

De acordo com Brito, quem estuda para um concurso com edital já publicado deve olhar para essas datas de um jeito diferente. Se o edital saiu, a prova costuma estar a poucos meses e cada dia passa a pesar mais. Nesse caso, o diretor recomenda dedicar os feriados aos estudos, usando os fins de semana prolongados para blocos mais longos, como um simulado completo no horário da prova real, e para revisar o que ficou para trás.

O ritmo também depende do nível de cada um, já que quem está adiantado no conteúdo pode concentrar a energia em questões e revisões, enquanto quem está atrasado precisa aproveitar o tempo extra para recuperar o terreno.

No entanto, isso não significa abrir mão do descanso. O diretor pedagógico da CENTRAL DE CONCURSOS lembra que o lazer e o sono também fazem parte da preparação e que a mente cansada rende pouco.

“Não adianta se matar de estudar e chegar esgotado no dia da prova. A ideia é separar algumas horas por dia para a família, para um passeio ou para simplesmente não fazer nada, e voltar mais disposto para os livros”, diz.

Maior flexibilidade quando edital não foi publicado

Para quem estuda para concursos ainda sem edital publicado, a situação é outra e a flexibilidade é maior. Sem uma data de prova no horizonte próximo, o especialista em concursos afirma que o candidato pode aproveitar melhor as folgas, viajar, encontrar a família e descansar mais do que de costume.

Mas ele alerta que isso não é licença para largar tudo e cair na folia. “O aluno pode se permitir mais pausa, só que não deve se desconectar cem por cento dos estudos. Uma hora por dia de revisão ou de questões já mantém o cérebro no ritmo”, afirma.

Os riscos, aliás, existem nos dois lados. Para o Brito, o de relaxar demais está na escorregada. “O dia de folga vira três, os três viram uma semana, e quando o aluno percebe passou o mês.. Retomar custa mais do que manter, e o hábito é o que sustenta uma preparação longa”, alerta.

Do outro lado está quem tenta compensar tudo num único feriado, estudando 12 horas seguidas, e paga o preço com cansaço, queda de rendimento e uma segunda-feira perdida.

Para fugir dos dois extremos, o primeiro passo é não cair no que Brito considera o erro mais comum, que é chegar ao feriado sem plano. “Quem não decide antes decide na hora, e na hora o sofá quase sempre ganha”, diz.

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A orientação do especialista em concursos é abrir o calendário agora, marcar os dias de descanso e os dias de estudo e tratar os dois como compromisso. “Descanso planejado vem sem culpa. O improvisado vira ansiedade, porque a pessoa passa o dia achando que deveria estar estudando.”

Nas festas de fim de ano ele recomenda a “regra do dia seguinte”, que consiste em descanso completo na data e volta à rotina na manhã seguinte, ainda que em ritmo reduzido. Para quem já tem prova marcada, esse ritmo mais leve deve durar pouco, enquanto quem ainda aguarda edital pode estendê-lo por alguns dias.

De acordo com Brito, a virada do ano também é um bom momento para fazer um balanço do que foi estudado e traçar as metas do primeiro trimestre. “No Carnaval vale a mesma lógica, com o ajuste de que quem tem prova próxima deve preservar pelo menos as manhãs para os estudos, enquanto quem ainda aguarda edital pode aproveitar mais a folia, desde que volte aos livros na Quarta-feira de Cinzas.”

No fim das contas, segundo Brito, o que separa quem avança de quem fica para trás não é o número de feriados do calendário, e sim a decisão tomada antes deles. “O problema nunca é o feriado, é chegar nele sem saber o que fazer”, resume.

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