Quem estuda para concurso e trabalha o dia inteiro conhece a conta de cabeça: sobram duas, três horas por noite, quando sobram. Só que, ao longo do dia, existe uma outra reserva de tempo que quase ninguém contabiliza. São os 20 minutos no ônibus, os dez na fila do banco, a meia hora do almoço que poderia render mais do que o celular rolando sem rumo.

Somados, esses intervalos chegam a uma hora, às vezes mais, por dia. Mas há um detalhe que a maioria dos candidatos descobre tarde: tempo disponível não é, automaticamente, tempo aproveitável. É o que defende o diretor pedagógico da CENTRAL DE CONCURSOS, Marco Brito.

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“O aluno acha que vai resolver o cronograma encaixando estudo em qualquer brecha. Só que cada brecha serve para um tipo de atividade, e quando ele erra a combinação, estudou dez minutos e não reteve nada”, afirma.

A seguir, veja algumas as orientações de Marco Brito, especialista em concursos, para fazer esses intervalos valerem a pena.

1 – Escolha a tarefa antes de sair de casa

O primeiro erro que muitos concurseiros comentem, segundo Brito, é decidir o que estudar na hora, já com o ônibus andando ou a fila avançando. A indecisão consome justamente os minutos que deveriam ser de estudo. “Quem abre o celular sem saber o que vai fazer termina em uma rede social. O ideal é deixar separado, na noite anterior, o que será feito em cada intervalo do dia”, orienta.

2 – Use o intervalo para revisar, não para conteúdo novo

Para o diretor pedagógico da CENTRAL DE CONCURSOS, esse é o ponto central. Assunto inédito exige concentração prolongada, e um trajeto interrompido por paradas, avisos e barulho não oferece isso. Já a revisão de algo visto recentemente funciona bem em blocos curtos.

“Intervalo é lugar de reativar a memória, não de construir raciocínio novo. Uma aula nova de Direito Constitucional, ouvida em pedaços no meio da rua, dificilmente fica”, diz.

3 – Questões rápidas rendem mais que leitura corrida

Entre as atividades possíveis, Brito destaca a resolução de questões curtas, de preferência de múltipla escolha ou certo e errado. Segundo o especialista, elas cabem em poucos minutos, não exigem papel e entregam resposta imediata.

“Dez questões no celular, na fila do banco, valem mais do que quinze páginas lidas de forma dispersa. Você testa o que sabe e ainda descobre o que precisa rever”, explica.

4 – Flashcards e resumos pessoais são aliados de bolso

Outra recomendação do diretor pedagógico da CENTRAL DE CONCURSOS é manter, no celular ou em cartões de papel, um material construído pelo próprio aluno: fórmulas, prazos, conceitos que costumam cair, trechos de lei com a redação que a banca gosta de trocar. “É o material que o aluno já sabe que precisa fixar. Montar isso à noite e consultar durante o dia fecha o ciclo”, resume o diretor.

5 – Áudio serve, mas com limite

Para quem passa muito tempo em deslocamento, ouvir aulas gravadas ou resumos em áudio pode ser uma saída. No entanto, Brito faz uma ressalva importante: o recurso funciona melhor para reforçar o que já foi estudado do que para aprender do zero, e perde eficiência quando o aluno está dirigindo, caminhando em local movimentado ou fazendo outra tarefa que exija atenção. “Ouvir é uma forma de revisão leve. Não substitui o estudo ativo, com caderno e questão. Ele complementa”, ressalta.

6 – Almoço não é para virar maratona de estudo

A hora do almoço é, para muitos candidatos, o intervalo mais longo do dia útil, e a tentação é transformá-lo em mais uma sessão de estudo. O diretor desaconselha o exagero. “O cérebro também precisa de pausa. Quem estuda comendo, sem descansar, rende pouco nas duas coisas. Uma revisão leve de 15 a 20 minutos, depois de comer, já ajuda sem pesar”, sugere.

7 – Não espere resultado igual ao de uma sessão completa

Por fim, Brito faz questão de colocar os intervalos no lugar certo da preparação: são complemento, não substituto. “Estudar nos intervalos acelera a fixação, mas não resolve sozinho. A base continua sendo o estudo concentrado, em horário e ambiente adequados. Quem acha que dá para passar em concurso só com minutos soltos se frustra”, alerta.

Segundo o diretor, o ganho aparece com o tempo, de forma discreta. Quem incorpora os intervalos à rotina costuma chegar à sessão noturna de estudo com a revisão em dia, o que libera as horas mais longas para conteúdo novo e questões mais difíceis.

“O aluno não percebe no primeiro dia. Mas, depois de dois meses, ele tem uma vantagem silenciosa sobre quem desperdiçou todos esses minutos”, conclui.