A preparação para um concurso público envolve meses — e às vezes anos — de renúncias, rotinas rígidas e muito estudo focado. No entanto, o comportamento do candidato nas últimas 48 horas que antecedem a abertura dos portões tem um peso esmagador no resultado final. É nesse curto intervalo que muitos concorrentes preparados acabam sabotando o próprio desempenho devido à ansiedade e a decisões estratégicas equivocadas.

Para o especialista em concursos públicos Marco Brito, a véspera do exame não deve ser encarada como uma extensão do cronograma normal de estudos, mas sim como um período de calibração física e mental.

"O desespero de última hora é o maior inimigo da retenção. O que você não aprendeu em meses, não vai aprender na madrugada de sexta para sábado ou de sábado para domingo", adverte Marco Brito, que é diretor pedagógico da CENTRAL DE CONCURSOS.

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Segundo ele, o foco do final de semana da prova deve ser total na preservação da energia e na segurança jurídica e logística do candidato. Para ajudar os concorrentes a cruzarem a linha de chegada sem sobressaltos, o especialista em concursos listou as principais armadilhas comportamentais que devem ser evitadas a todo custo nas 48 horas decisivas.

1 – Tentar aprender matéria nova na véspera

De acordo com Marco Brito, o maior erro de véspera é abrir um tópico inédito do edital ou tentar compreender uma regra jurídica complexa a poucas horas do exame. Afinal, o cérebro precisa de tempo e sono de qualidade para consolidar novas informações.

Tentar forçar um aprendizado inédito gera sobrecarga cognitiva, aumenta os níveis de cortisol (o hormônio do estresse) e acaba gerando o temido efeito de "branco" em assuntos que o candidato já dominava perfeitamente. "Não tente tapar buracos no edital aos quarenta e cinco do segundo tempo, pois isso só vai inflar a sua ansiedade", adverte Brito.

2 – Negligenciar o sono e varar a madrugada estudando

A privação de sono afeta diretamente o córtex pré-frontal, a região do cérebro responsável pela tomada de decisões, lógica e atenção concentrada, justamente as habilidades mais exigidas em uma prova de concurso.

Por isso, o diretor pedagógico da CENTRAL DE CONCURSOS destaca que trocar horas de descanso por leituras desesperadas na madrugada faz com que o candidato chegue para o exame com reflexos lentos, tendo dificuldades para interpretar pegadinhas simples da banca organizadora.

"É preferível ir para a prova com 80% do conteúdo editado na mente e o cérebro descansado do que com 100% lido e a mente exausta", pontua.

3 – Mudar de material ou de técnica na última hora

Faltando dois dias para a prova, Marco Brito recomenda que o concurseiro limite-se estritamente aos seus próprios resumos, anotações ou mapas mentais. Ele orienta ainda que se evite entrar em fóruns de discussão ou consumir apostilas de última hora de professores com metodologias diferentes da que você utilizou.

“Ver uma explicação estruturada de uma forma nova pode gerar uma falsa e perigosa sensação de ignorância, minando a autoconfiança necessária para enfrentar as questões. Confie no material que te trouxe até aqui e evite o bombardeio de novas fontes na véspera", ensina o especialista.

4 – Deixar a organização dos materiais para o domingo de manhã

Procurar a caneta esferográfica preta transparente, o documento de identidade original ou o cartão de confirmação de inscrição minutos antes de sair de casa é uma receita infalível para o pânico.

Deixar tudo separado na noite de sábado garante uma manhã de domingo tranquila e sem sobressaltos. "O seu único foco no dia do concurso deve ser a resolução das questões da prova, por isso elimine qualquer pequena burocracia ou preocupação logística antes de dormir", aconselha Brito.

5 – Ignorar a logística e o reconhecimento do local de prova

Não deixe para descobrir o itinerário e o tempo de deslocamento até o local de prova no domingo de manhã. O especialista recomenda que o candidato faça o trajeto até a unidade de prova no final de semana anterior ao da aplicação, se possível no mesmo horário do fechamento dos portões, para entender onde estacionar ou qual linha de transporte público utilizar.

"O atraso ou o susto com o trânsito gera um pico de estresse que destrói a concentração do candidato antes mesmo de ele assinar a folha de respostas."

6 – Mudar radicalmente a alimentação e a rotina física

Segundo Marco Brito, o fim de semana do concurso não é o momento para testar pratos exóticos, comidas pesadas ou suplementos energéticos inéditos. Isso porque, de acordo com ele, distúrbios gastrointestinais causados por alimentação inadequada ou excesso de cafeína são causas frequentes de abandono de prova.

“Mantenha a sua dieta habitual, hidrate-se bem e evite esforços físicos exagerados que possam causar lesões ou dores musculares incômodas durante as longas horas de exame. O seu corpo precisa de estabilidade e segurança nas horas que antecedem o grande esforço da prova", destaca.

7 – Alimentar pensamentos catastróficos e discussões

Outra recomendação do especialista é evitar conviver ou conversar com pessoas pessimistas ou candidatos excessivamente ansiosos nas horas que antecedem a prova. “O estresse é altamente contagioso e o diálogo interno negativo drena a energia que deveria ser usada na hora de marcar o gabarito”.

Por isso, Brito aconselha focar no autocuidado e no acolhimento do esforço já realizado. "Mentalize o trabalho honesto que você fez até aqui e vá para o local de prova focado em resolver uma questão de cada vez, sem sofrer pelo resultado antes da hora", conclui.

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