O novo presidente do Instituto Nacional do Seguro Social, Glauco André Fonseca Wamburg, disse que o INSS perdeu metade do seu quadro de pessoal nos últimos dez anos (de 2013 para cá), sendo que, somente em 2019, cerca de 6 mil servidores deixaram a autarquia por terem se aposentado.
As declarações, que foram dadas ao jornal Correio Braziliense, retratam bem a importância de o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) autorizar a convocação dos 2.394 excedentes da seleção aberta ano passado, bem como a abertura de um novo concurso INSS.
Novo pedido de concurso já foi enviado
Inclusive, no final do mês passado, o INSS solicitou ao MGI a realização de um novo concurso para 7.655 vagas, sendo 5.819 para técnico do seguro social e 1.836 para analista do seguro social.
Segundo a nota técnica enviada ao MGI, para solicitar a abertura do novo concurso INSS, o presidente da autarquia, Glauco André Fonseca Wamburg, informa que o atual déficit é de 24.595 servidores, sendo 22.120 na carreira de técnico do seguro social e 2.475 na de analista do seguro social.
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Segundo Wamburg, apesar de todo o processo de digitalização que o INSS passou nos últimos anos, isso não impediu que houvesse uma redução na fila de atendimento aos segurados.
A fila, que antigamente era nas portas das agências, passou a ser virtual, conforme explicou o presidente do INSS. Atualmente, cerca de 1,8 milhão de segurados aguardam pela análise dos mais variados pedidos.
“A gente teve um processo de digitalização dos nossos canais de acesso. Antigamente o canal era a agência, ela era a sede da fila. Desenvolvemos um sistema de atendimento remoto, o 135, e colocamos a fila num plano digital. Agora não se vai mais para a porta da agência. É agendado quando você será atendido. Com isso, a fila virou eletrônica. Antes tínhamos como controlar ou reprimir a demanda. Perdemos isso. Tantas pessoas quantas quiserem, conseguem requerer ao INSS, e isso não acompanhou a nossa capacidade de análise. Ao contrário, nos últimos dez anos, perdemos mais da metade da nossa capacidade de servidores. Dobramos a quantidade de tarefas e reduzimos a nossa capacidade de análise. Outro fator que pesou na construção da fila foi o incremento nas demandas do INSS com a reforma da previdência e com a pandemia” disse Wamburg, ao Correio Braziliense.
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O presidente do INSS comemorou o fato de o órgão ter aberto um concurso, no ano passado, para o preenchimento inicial de mil vagas. Ele acredita que o ingresso desses concursados já contribuirá para começar a reduzir a fila virtual. Fora isso, ele disse, em entrevista ao Correio Braziliense, que um dos seus primeiros objetivos à frente da autarquia é motivar os atuais servidores.
“O instituto chegou a um grau de dificuldades com a falta de servidores, e a gente conseguiu um concurso público no governo Bolsonaro. Isso é um marco, conseguimos mil vagas num governo bastante austero à abertura de concurso público. Nós chegamos a uma situação perto do limite da nossa capacidade, e isso, naturalmente, desmotivou os servidores. Uma categoria que não tem aumento há muito tempo e que perdeu seis mil servidores apenas em 2019, com aposentadorias. A gente viu as agências sendo esvaziadas e um crescimento da visão do INSS como o algoz do processo. Então, rearticular a boa vontade e a motivação desses servidores é o primeiro grande desafio que a gente vem tentando resolver. Com a chegada desses novos trabalhadores, vamos ter muita ajuda em relação à fila.”
Fora o enorme déficit de pessoal, as aposentadorias previstas são um outro fator que reforçam a necessidade de serem autorizados o novo concurso INSS e a chamada dos excedentes do certame aberto no ano passado.
Levantamento feito pela reportagem da CENTRAL DE CONCURSOS, junto ao Painel Estatístico de Pessoal (PEP) do governo federal, aponta que 3.402 servidores da autarquia estão recebendo abono de permanência, segundo dados de fevereiro de 2023.
Não à toa o INSS tem pressa em abrir um novo concurso. Ao encaminhar solicitação ao governo federal, a autarquia enviou junto uma proposta de cronograma, onde recomenda ao MGI que autorize o certame neste mês de junho.
O objetivo do INSS é publicar o edital em agosto, aplicar prova em outubro e nomear os aprovados em janeiro de 2024. É possível que esse cronograma não seja cumprido, mas demonstra bem a pressa que a autarquia tem em contratar novos servidores.
Carreira de técnico exige apenas nível médio
Para concorrer a uma vaga de técnico do seguro social é necessário ter o nível médio. Já a de analista do seguro social requer formação superior. Para esta segunda carreira, maior necessidade de pessoal é de graduados em Assistência Social. No entanto, ainda não se sabe quais cursos serão solicitados, caso o concurso INSS venha a ser autorizado.
A remuneração até o final de abril era de R$5.905,79, para técnico do seguro social, e de R$7.659,87, para analista do seguro social. No entanto, os vencimentos básicos foram ampliados em 1º de maio, quando o governo concedeu um reajuste de 9% para todo o funcionalismo público federal. Além disso, o auxílio-alimentação foi ampliado de R$458 para R$658 ao auxílio-alimentação.
Vale destacar que os aprovados e classificados no concurso INSS são contratados pelo regime estatutário, que assegura estabilidade no emprego, após três anos de estágio probatório.
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