O Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central (Sinal), por meio da regional do Distrito Federal, protocolou na última terça-feira, 24 de junho, o Ofício nº 02/2026, junto à Presidência da autarquia. O documento, que também foi enviado com cópias ao diretor de administração e ao secretário-executivo do órgão, solicita formalmente a adoção de providências institucionais urgentes para que o cargo de técnico seja incluído no próximo concurso Bacen.

A movimentação sindical ocorre em um momento decisivo. Nos próximos dias, o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) deve autorizar oficialmente um novo concurso Bacen. A previsão inicial do governo, contudo, é liberar 140 vagas, distribuídas entre os cargos de auditor (120 vagas) e procurador (20 vagas), deixando a carreira de técnico de fora do certame.

Carência é de 3.160 funcionários, sendo 474 técnicos

A exclusão da carreira contrasta com a realidade do quadro de pessoal da autarquia. De acordo com dados oficiais de maio deste ano, extraídos do próprio site da instituição, o Banco Central possui 3.160 cargos vagos.

Deste montante, a carreira de técnico — que hoje exige apenas o nível médio e tem remuneração de R$8.645,62 — responde por 474 posições abertas. As demais vacâncias concentram-se nos cargos de analista (2.537) e procurador (149).

No ofício enviado ao presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, o Sinal-DF rebate a ausência da carreira na futura seleção, destacando a relevância estratégica dos técnicos para o funcionamento da instituição.

O sindicato ressalta que os atuais ocupantes do cargo desempenham atividades essenciais ao cumprimento da missão institucional da autarquia e são fundamentais para a adequada execução de suas atribuições diárias. O último certame para técnico aconteceu em 2013, ou seja, há mais de uma década.

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Além de lutar pela abertura imediata de vagas para técnico, o sindicato aproveitou o documento para cobrar o apoio da Presidência do Bacen junto ao MGI em duas pautas:

* A elevação do requisito de ingresso para o cargo de técnico, exigindo nível superior em vez do nível médio atual.
* O enquadramento definitivo da carreira de especialista do Banco Central como uma carreira típica de Estado.

Para sensibilizar a cúpula do banco sobre a viabilidade de negociar com o governo federal, a entidade citou o exemplo recente ocorrido com a carreira jurídica do órgão. O Sinal-DF lembrou que a atuação do Ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, em forte interlocução com a Ministra da Gestão, Esther Dweck, foi o fator fundamental para garantir a autorização das vagas de procurador no concurso que está por vir. O sindicato espera que o mesmo empenho político seja direcionado agora aos técnicos.

Previsão é de autorização nos próximos dias

Se o cenário atual for mantido pelo MGI, a autorização do novo concurso Bacen está prevista para sair até o dia 3 de julho. As 20 vagas para procurador (com remuneração inicial de R$ 26.159,31; graduação em Direito) deverão ser oferecidas em um concurso unificado com outras carreiras jurídicas da AGU.

Por sua vez, as 120 vagas para auditor (remuneração de R$ 19.225,52: nível superior em qualquer área de formação) contarão com um edital próprio do Banco Central.

A partir do momento em que o aval do MGI for publicado no Diário Oficial da União, o Banco Central terá um prazo legal de seis meses para formar a comissão interna, contratar a banca organizadora e publicar o edital.

Os aprovados e classificados no concurso Bacen serão contratados pelo regime estatutário (garantia de estabilidade no emprego).

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