Na mesma entrevista concedida no início desta semana para o jornal Folha de S.Paulo, em que fala da necessidade de contratar servidores efetivos para o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a ministra da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, defendeu a realização de um novo concurso Bacen (Banco Central do Brasil), que também possui uma estimativa grave de ampliação do déficit de pessoal.

“Não tem como precisar quais seriam os concursos (mais urgentes), em quais áreas. Desde que eu estava aqui (no governo Dilma Rousseff), eu já acompanhava áreas que tinham muita gente em abono de permanência, com risco de aposentadoria, e a reforma da Previdência em 2019 acelerou. Áreas que já estavam com risco muito grande, com 30% da folha podiam se aposentar. IBGE e Banco Central, mas tem outras também", informou a ministra.

A ministra falou que o orçamento deste ano, que foi aprovado no Congresso Nacional no fim de 2022, prevê uma reserva de cerca de R$1,5 bilhão para contratações de servidores nas autarquias federais. Para ela, “Não é muita coisa, mas permite a algumas áreas muito críticas e que têm concurso em aberto, cadastro reserva, fazer contratações”.

O Banco Central, certamente, está no radar dos concursos a serem autorizados pelo Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos em 2023, o que ajudaria a resolver o problema da sobrecarga de trabalho denunciada pelos servidores atuais.

Em avaliação feita pelo Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central (SINAL), quem está trabalhando no Banco Central atualmente sofre com a falta de reajustes salariais e com a própria desvalorização da carreira, obrigando-os a buscarem oportunidades de trabalho em outras instituições financeiras. Esses fatores, segundo o Sinal, “agrava o risco de RH e implica a piora significativa do clima organizacional, impactando diretamente na rotina laboral do órgão".

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Índice de aposentadorias do BC pode chegar a 18% até 2025

Esses problemas podem se agravar ainda mais diante das projeções futuras de saídas de servidores por motivos previdenciários. Informações presentes em um ofício enviado em novembro do ano passado ao Ministério da Economia revelam que o Banco Central possui 3.071 cargos vagos, sendo 2.493 no quadro de analistas, 142 em procurador e 436 para técnicos.

Fora que há ainda 8,87% do quadro de servidores com condição de aposentar, o que resulta em um número de 313 funcionários, entre técnicos, analistas e procuradores. E a projeção até 2025 é que esse índice de aposentadorias chegue ao patamar de 18%, ou seja, mais de 600 funcionários.

Diante dessa real necessidade de servidores, o BC já sinalizou ao Governo Federal que precisa receber a autorização para abrir um concurso Bacen com 245 vagas, sendo 15 de técnico, 200 de analista e 15 de procurador, que foi o número previsto no último pedido enviado ao Ministério da Economia:

"Já sinalizamos a necessidade de tratativas, que devem se dar após a conclusão da definição da equipe gerencial da Secretaria de Gestão e Desempenho de Pessoas do Ministério da Gestão", declarou o Banco Central por meio de nota.

A carreira de técnico exige nível médio e proporciona remuneração inicial R$7.741,31. Para concorrer a uma vaga de analista, cujos rendimentos são de R$19.655,06, é preciso ter formação superior em qualquer área. Já para procurador, o requisito é ter bacharelado em Direito e exercício comprovado de dois anos de prática forense. Os ganhos são de R$21.472,49.

Saiba como foi o último concurso Bacen

No concurso Bacen de 2013, foram oferecidas 100 vagas para o cargo de técnico e 400 para analista, em várias especialidades. A organização ficou a cargo da banca Cebraspe (que na época chamava-se Cespe/UnB), que avaliou os inscritos por meio de provas objetiva e discursiva, avaliação de títulos (apenas para analista) e programa de capacitação.

A prova objetiva para ambos os cargos contou questões em disciplinas de Conhecimentos Básicos e Específicos:

Prova de Técnico do Bacen

• Conhecimento Básicos: questões de Língua Portuguesa, Noções de Direito Constitucional e de Direito Administrativo, Gestão Pública, Informática e Raciocínio Lógico-Quantitativo;
• Conhecimentos Específicos: questões de Fundamentos de Contabilidade, Fundamentos de Gestão de Pessoas e Fundamentos de Gestão de Recursos Materiais.

Prova de Analista do Bacen

• Conhecimento Básicos: Língua Portuguesa, Língua Inglesa, Raciocínio Lógico, Direito Constitucional, Direito Administrativo, Sistema Financeiro Nacional e Sistema de Pagamento Brasileiro e Economia;
• A Prova de Conhecimentos Específicos variava de acordo com a área de atuação de analista que, no edital de 2013, eram de Análise e Desenvolvimento de Sistemas, Suporte à Infraestrutura de Tecnologia da Informação, Política Econômica e Monetária, Contabilidade e Finanças, Infraestrutura e Logística e Gestão e Análise Processual.

Nesse anos, as provas foram aplicadas nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Belém, Fortaleza, Recife e Salvador.

Ficha Técnica Concurso Bacen – Banco Central

Órgão: BACEN – Banco Central do Brasil
Status: Concurso solicitado
Vagas: 245
Cargos: Técnico, Analista e Procurador
Escolaridade: Níveis médio e superior
Remuneração: até R$ 21.472,49
Abrangência: Nacional