Neste ano de 2023, o Banco Central do Brasil completa exatos dez anos do último concurso Bacen, quando ofereceu 500 vagas para técnicos e analistas. Desde então, a instituição sofre com a diminuição gradual e constante do seu quadro de pessoal, mas também com a falta de reajustes salariais e com a própria desvalorização da carreira, que leva os servidores do banco buscarem oportunidades de trabalho em outras instituições financeiras.

Essa é a avaliação feita pelo Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central (SINAL), que acrescenta que a falta de valorização de quem está no BC “agrava o risco de RH e implica a piora significativa do clima organizacional, impactando diretamente na rotina laboral do órgão".

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Para o sindicato, a evasão de servidores para outras empresas estatais do Governo Federal contribui para essa falta de um corpo capacitado de agentes que leva, consequentemente, a falhas operacionais como a que ocorreu em janeiro, quando foi detectado um erro interno gerado pela criação de novos códigos de operações cambiais com a nova legislação.

A expectativa do BC é de que com o Governo Lula, que tem como perfil privilegiar e fortalecer as instituições públicas federais, ele consiga o aval para realizar um novo concurso Bacen depois de dez anos.

O Banco Central já iniciou as tratativas com o novo governo para poder abrir, ainda este ano, um edital com 245 vagas, distribuídas da seguinte forma:

• 30 vagas para o cargo de técnico (nível médio). Remuneração inicial de R$7.741,31;
• 200 vagas para analista (nível superior em qualquer área). Remuneração inicial de R$19.655,06;
• 15 vagas de procurador (nível superior em Direito). Remuneração inicial de R$21.472,49.
   
Reuniões neste mês irão discutir a abertura do novo concurso Bacen

A problemática acerca da falta de servidores no Banco Central será discutida em duas reuniões marcadas para a primeira semana de fevereiro. A primeira acontecerá já na próxima sexta-feira, dia 3, entre o presidente do BC, Roberto Campos Neto, com representantes do SINAL, do SinTBacen e a ANBCB, para abordar as principais demandas do corpo funcional da autarquia.

Já no dia 7 deste mês, representantes do Fórum Nacional Permanente de Carreiras Típicas de Estado (Fonacate) e do Fórum das Entidades Nacionais dos Servidores Públicos Federais (Fonasefe) vão se reunir com o secretário de Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho do Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, Sérgio Mendonça. Vale salientar que esse ministério, criado no Governo Lula, é o responsável por avaliar os pedidos de concurso e conceder ou não a autorização.

Em ambos os encontros, a necessidade urgente do BC ter um novo edital na praça será discutida. Dados publicados em novembro do ano passado revelam que o Banco Central dispõe de 3.046 cargos vagos, sendo 2.477 analistas, 140 procuradores e 429 para técnicos.

Porém, esse número pode crescer ainda mais até 2025, pois o banco possui uma estimativa de perder mais de 600 servidores por ano, que se encontram em condições de se aposentarem.

Atualmente, o Banco Central ainda tem 8,87% do quadro de servidores em condição de aposentar, o que indica 313 funcionários, entre os três cargos que estão contemplados no pedido de concurso. Se a ausência de editais persistir nos próximos três anos, a projeção é que esse déficit de servidores atinja 18%. Fora que eles podem deixar o BC por outros motivos, como exonerações, transferências e óbitos.

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Saiba como foi o último concurso Bacen

No concurso Bacen de 2013, foram oferecidas 100 vagas para o cargo de técnico e 400 para analista, em várias especialidades. A organização ficou a cargo da banca Cebraspe (que na época chamava-se Cespe/UnB), que avaliou os inscritos por meio de provas objetiva e discursiva, avaliação de títulos (apenas para analista) e programa de capacitação.

A prova objetiva para ambos os cargos contou questões em disciplinas de Conhecimentos Básicos e Específicos:

Prova de Técnico do Bacen

• Conhecimento Básicos: questões de Língua Portuguesa, Noções de Direito Constitucional e de Direito Administrativo, Gestão Pública, Informática e Raciocínio Lógico-Quantitativo;
• Conhecimentos Específicos: questões de Fundamentos de Contabilidade, Fundamentos de Gestão de Pessoas e Fundamentos de Gestão de Recursos Materiais.

Prova de Analista do Bacen

• Conhecimento Básicos: Língua Portuguesa, Língua Inglesa, Raciocínio Lógico, Direito Constitucional, Direito Administrativo, Sistema Financeiro Nacional e Sistema de Pagamento Brasileiro e Economia;
• A Prova de Conhecimentos Específicos variava de acordo com a área de atuação de analista que, no edital de 2013, eram de Análise e Desenvolvimento de Sistemas, Suporte à Infraestrutura de Tecnologia da Informação, Política Econômica e Monetária, Contabilidade e Finanças, Infraestrutura e Logística e Gestão e Análise Processual.

Nesse anos, as provas foram aplicadas nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Belém, Fortaleza, Recife e Salvador.

Ficha Técnica Concurso Bacen – Banco Central

Órgão: BACEN – Banco Central do Brasil
Status: Concurso solicitado
Vagas: 245
Cargos: Técnico, Analista e Procurador
Escolaridade: Níveis médio e superior
Remuneração: até R$ 21.472,49
Abrangência: Nacional