Em algum momento da preparação para concursos públicos, muitos candidatos acabam olhando para o lado e se perguntando se estão realmente no caminho certo. Ao ver colegas estudando mais horas, resolvendo mais questões ou acumulando aprovações em provas diferentes, surge um sentimento comum entre concurseiros: a comparação.
Embora pareça algo natural, especialistas alertam que comparar constantemente o próprio desempenho com o de outros candidatos pode se tornar um dos maiores inimigos da preparação.
De acordo com o diretor pedagógico do curso CENTRAL DE CONCURSOS, Marco Brito, esse comportamento é bastante comum, principalmente entre candidatos que estão em grupos de estudo ou participam de comunidades nas redes sociais voltadas para concursos.
“Hoje os concurseiros estão muito conectados. Existem grupos de estudo, fóruns e redes sociais onde as pessoas compartilham rotinas, horas de estudo e resultados em simulados. Isso pode até ser positivo em alguns momentos, mas também pode gerar uma pressão desnecessária”, explica.
Realidade diferente de cada candidato é uma das variáveis
Um dos principais problemas da comparação é ignorar que cada candidato possui uma realidade completamente diferente.
Há pessoas que conseguem estudar oito ou dez horas por dia, enquanto outras precisam conciliar a preparação com trabalho, faculdade ou responsabilidades familiares. Além disso, o histórico acadêmico e o tempo de preparação também variam muito.
Segundo Marco Brito, quando o candidato compara apenas resultados ou volume de estudo, ele deixa de considerar essas variáveis.
“Muitos candidatos se frustram porque veem alguém dizendo que estuda dez horas por dia ou que já resolveu dez mil questões. Mas cada trajetória é diferente. Há candidatos que começaram a estudar anos antes ou que já têm uma base muito sólida em determinadas disciplinas”, afirma.
Outro ponto destacado por Marco Brito é que a quantidade de horas dedicadas ao estudo nem sempre reflete a qualidade da preparação. Segundo ele, muitos concurseiros acabam se preocupando excessivamente com o número de horas estudadas por outros candidatos, sem avaliar como esse tempo está sendo realmente aproveitado.
“Mais importante do que a quantidade de horas é a qualidade do estudo. Uma pessoa que tem apenas duas horas por dia para estudar pode aproveitar muito melhor esse tempo do que alguém que passa sete horas diante do material, mas perde o foco, se distrai com o celular ou utiliza estratégias de estudo pouco eficientes”.
Essa comparação superficial pode gerar a falsa impressão de que o candidato está atrasado ou que não tem chances reais de aprovação.
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Outro efeito negativo da comparação constante é o impacto na motivação. Quando o concurseiro passa a acreditar que sempre está atrás dos outros candidatos, pode surgir um sentimento de incapacidade ou desânimo. Em alguns casos, isso leva até mesmo ao abandono da preparação.
Marco Brito explica que o processo de estudo para concursos já é naturalmente desafiador e exige persistência. A comparação excessiva pode tornar esse processo ainda mais difícil.
“O estudo para concursos é uma preparação de médio ou longo prazo. O candidato precisa desenvolver consistência. Quando ele começa a se comparar o tempo todo com outras pessoas, muitas vezes perde o foco no próprio processo”, destaca.
Pressão aumento com as redes sociais
Nos últimos anos, as redes sociais passaram a exercer grande influência na rotina de muitos concurseiros. Perfis que mostram rotinas intensas de estudo, quadros com horas acumuladas ou relatos de aprovações podem gerar inspiração, mas também podem criar uma pressão psicológica significativa.
Segundo Marco Brito, é importante lembrar que muitas vezes as redes sociais mostram apenas uma parte da realidade.
“Nas redes sociais as pessoas geralmente mostram os resultados positivos, as aprovações ou dias muito produtivos. O candidato que está assistindo aquilo pode pensar que todo mundo está evoluindo mais rápido do que ele, quando na verdade cada processo tem seus altos e baixos”, aponta.
Para evitar os efeitos negativos da comparação, especialistas recomendam que o candidato concentre sua atenção no próprio planejamento de estudos. Isso inclui estabelecer metas realistas, acompanhar a própria evolução e respeitar o ritmo individual de aprendizagem.
Marco Brito destaca que a preparação para concursos deve ser encarada como um projeto pessoal.
“O candidato precisa entender que está competindo, antes de tudo, consigo mesmo. O objetivo deve ser melhorar em relação ao próprio desempenho, acertar mais questões do que antes e avançar gradualmente no conteúdo”.
Acompanhar indicadores pessoais, como desempenho em simulados ou evolução em determinadas disciplinas, pode ser uma forma mais saudável de avaliar o progresso.
Comparação deve ser feita de uma maneira positiva
Embora a comparação excessiva seja prejudicial, isso não significa que observar outros candidatos seja sempre negativo. Em alguns casos, pode servir como fonte de aprendizado ou inspiração.
Ver como aprovados organizam o ciclo de estudos, quais materiais utilizam ou como estruturam revisões pode ajudar a aperfeiçoar o próprio método de preparação.
No entanto, Marco Brito alerta que o candidato deve usar essas referências com cautela. “É importante aprender com a experiência de quem já passou, mas sem transformar isso em uma cobrança excessiva. Cada candidato precisa adaptar estratégias à sua própria realidade”, afirma.
Para quem estuda para concursos públicos, a aprovação costuma ser resultado de um processo longo, marcado por disciplina e constância. Nesse contexto, manter o foco no próprio desenvolvimento pode ser um diferencial importante.
Em vez de comparar trajetórias, especialistas recomendam que o candidato concentre energia naquilo que realmente pode controlar: sua rotina de estudos, a qualidade das revisões e a prática constante de exercícios.
Como resume Marco Brito, o caminho até a aprovação não precisa ser igual ao de ninguém. “O mais importante é construir uma preparação consistente. Cada candidato tem seu tempo e sua trajetória. O foco deve estar sempre na própria evolução”, finaliza.
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