Seja para disputar uma vaga de nível médio em uma prefeitura, um cargo de técnico ou analista em um tribunal ou uma carreira administrativa em uma instituição federal, existe uma certeza que une praticamente todos os concursos públicos do país: a presença das disciplinas jurídicas.

Mesmo em seleções que não exigem formação superior em Direito, matérias tradicionais como Direito Constitucional e Direito Administrativo figuram como conhecimentos básicos indispensáveis. E é justamente aí que surge o maior pesadelo dos candidatos: a leitura da chamada ‘lei seca’.

Dá-se o nome de ‘lei seca’ ao texto cru e original da legislação — as leis, decretos, artigos e incisos, sem os comentários de professores ou doutrinadores. Como uma grande quantidade de bancas organizadoras elabora questões copiando e colando trechos literais da norma, ler e dominar a ‘lei seca’ é obrigatório para ser aprovado. Contudo, para quem não tem bagagem jurídica, encarar páginas e páginas de linguagem formal, técnica e rebuscada costuma ser uma tarefa árdua, monótona e com baixíssima taxa de retenção.

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Para o diretor pedagógico da CENTRAL DE CONCURSOS, Marco Brito, o erro da maioria dos alunos está em tentar ler a lei como se estivesse lendo um livro de romance ou um romance policial. "A leitura passiva do texto legal é o caminho mais rápido para o tédio, para a perda de foco e para o esquecimento. Ninguém memoriza prazos e incisos simplesmente passando os olhos por cima do papel de forma mecânica", adverte o especialista em concursos.

Para transformar esse processo cansativo em uma rotina de estudos ativa, dinâmica e de alta performance, Marco Brito lista estratégias práticas para memorizar o texto legal sem depender da decoração pura e simples.

1 – Faça a ‘tradução’ e esquematize os artigos longos

Muitos artigos da Constituição ou das mais variadas leis possuem parágrafos extensos, repletos de exceções e orações subordinadas que confundem o leitor. O conselho de Marco Brito é reescrever o texto com as suas próprias palavras ou transformá-lo em tópicos visuais.

Ele sugere que o aluno, ao se deparar com uma regra que contenha uma lista de requisitos ou exceções, em vez de ler em bloco, divida a norma em tópicos numerados ou em pequenos fluxogramas de ‘se/então’.

"Se você não consegue explicar com as suas palavras o que aquele artigo legal significa, você não entendeu a norma, apenas decorou palavras soltas que a banca vai trocar na hora da prova", ensina o especialista.

2 – Associe prazos e regras abstratas a casos práticos do cotidiano

Decorar números, dias úteis, prazos de prescrição ou quantidades de membros de um conselho é a parte mais árdua da legislação. Via de regra, a mente humana tem facilidade para guardar histórias e conexões visuais, mas rejeita dados abstratos isolados. Para contornar essa limitação, o diretor pedagógico da CENTRAL DE CONCURSOS orienta o aluno a criar situações hipotéticas reais da vida cotidiana para ancorar a regra.

Por exemplo: ao estudar o processo administrativo e os prazos de recurso, imagine a si mesmo como um servidor público recebendo aquele papel sobre a mesa e contando no calendário os dias que você tem para responder.

"Dê vida e rosto ao texto da lei. Quando você visualiza a regra funcionando na prática do serviço público, o prazo deixa de ser um número solto e vira parte de uma engrenagem lógica", orienta Brito.

3 – Crie mnemônicos próprios para as listas de ‘decoreba’

As bancas organizadoras adoram cobrar listas fechadas — como os princípios fundamentais da República, os requisitos do ato administrativo ou os casos de inafiançabilidade. Nesses cenários específicos, os mnemônicos (palavras fictícias formadas pelas iniciais dos itens que você precisa lembrar) são ferramentas valiosas de resgate rápido na hora da prova.

Contudo, Brito faz uma ressalva: os melhores mnemônicos são aqueles criados pelo próprio estudante. "Usar mnemônicos prontos da internet nem sempre funciona porque a associação não foi feita pela sua mente; construa as suas próprias palavras de memória e use-as exclusivamente para as listas que as bancas mais repetem", destaca.

4 – Destaque o texto com foco nas 'pegadinhas' das bancas

Segundo Marco Brito, muitos candidatos cometem o equívoco de usar canetas marca-texto para colorir a página inteira da lei, tornando o material visualmente poluído e inútil para revisões futuras. Segundo ele, o grifo na ‘lei seca’ deve ser cirúrgico e direcionado ao comportamento das bancas.

Utilize cores diferentes apenas para destacar verbos de comando (como ‘deverá’, ‘poderá’, ‘é vedado’), conectivos de exceção (‘salvo’, ‘exceto’) e numerais de prazos. "O seu marca-texto não serve para enfeitar o papel, mas sim para acender um sinal vermelho onde a banca organizadora costuma trocar uma palavra obrigatória por um termo facultativo para te induzir ao erro", conclui.

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