O governo federal está avaliando os efeitos positivos e o custo-benefício da primeira edição do Concurso Nacional Unificado (CNU) para decidir sobre a realização de uma segunda edição.

Segundo a ministra da Gestão e Inovação, Esther Dweck, essa análise, conduzida em conjunto com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), será crucial para determinar se vale a pena repetir o chamado "Enem dos Concurso" em 2025.

O cronograma para a decisão sobre a segunda edição do CNU deverá ser definido até o final deste ano. Se aprovado, o novo concurso poderá ocorrer até março de 2025, com as provas possivelmente sendo realizadas em agosto, considerado o melhor mês em termos climáticos para a aplicação nacional, conforme explicou a ministra.

"A nossa análise é de que o ideal, se houver uma prova no ano que vem, seja em agosto. Por vários motivos, até por ser um ano depois da primeira edição. Achávamos que maio seria um mês tranquilo do ponto de vista climático, mas descobrimos que agosto é o melhor mês para o Brasil inteiro nesse aspecto."

Oferta de vagas ainda não foi definida

Caso o novo CNU seja realizado, como é desejo do governo, a oferta de vagas deverá ser inferior à da primeira edição, que disponibilizou 6.640 vagas em cargos dos níveis médio e superior, abrangendo 21 órgãos e ministérios.

Dweck destacou que o número de vagas ainda não foi definido, mas indicou que "não precisa ser 6 mil, pode ser menos".

Além de considerar uma redução no número de vagas, o governo pretende aperfeiçoar o modelo do concurso, corrigindo possíveis falhas identificadas na primeira edição.

Um dos pontos que está sendo avaliado é a estrutura das provas, que foram aplicadas em dois turnos. Segundo a ministra, muitos candidatos relataram dificuldades com o tempo disponível para concluir as questões objetivas e discursivas, levando o governo a reavaliar o balanceamento entre as provas da manhã e da tarde.

Dweck explicou que, embora o tempo de prova tenha sido o mesmo para todos os candidatos, o governo está atento às críticas e estudará possíveis ajustes para melhorar a experiência dos concorrentes.

"Muita gente questionou. Isso é uma coisa que a gente vai avaliar. Mas, lembrando, isso é uma questão isonômica. Foi para todo mundo igual. Então, se o tempo estava mal balanceado entre a manhã e à tarde, foi para todo mundo. Todo mundo vai ser afetado por isso e tende a não afetar o resultado final do concurso", afirmou a ministra.

Resultado previsto para 8 de outubro

Na primeira edição do CNU, mais de 2 milhões de candidatos se inscreveram, mas o concurso registrou uma abstenção de 54%, com 970.037 candidatos presentes.

A previsão é de que a divulgação das notas finais das provas objetivas e das notas preliminares das avaliações discursivas aconteça no dia 8 de outubro. Os recursos contra o resultado do segundo exame serão aceitos até o dia 9 do mesmo mês.

Para os candidatos a cargos do nível médio, será eliminado do concurso o candidato quem obtiver aproveitamento inferior a 30% da pontuação nas provas objetivas ou obtiver nota zero na Redação.

Já para os cargos de nível superior, será eliminado o candidato que obtiver aproveitamento inferior a 40% da pontuação nas provas objetivas de Conhecimentos Gerais e de Conhecimentos Específicos (P2) ou obtiver nota zero na prova discursiva.

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O concurso unificado contará ainda com avaliação de títulos, procedimento de heteroidentificação (candidatos negros), avaliação biopsicossocial (pessoas com deficiência) e, dependendo do cargo, curso de formação.

No caso dos títulos, eles precisão ser enviados nos dias 9 e 10 de outubro, conforme especificações que estarão contidas no edital de convocação para esta etapa, que sairá no dia 8 do mesmo mês.

O resultado final da 1ª edição do CNU, que visa ao preenchimento de 6.640 vagas, está previsto para ser divulgado no dia 21 de novembro. No Estado do São Paulo houve um total de 223.485 inscritos.

Vale lembrar que o concurso unificado também visará à formação de cadastro de reserva (CR), para ser utilizado durante o prazo de validade do certame, de um ano, podendo dobrar. Ao longo desse período, muitos aprovados poderão ser contratados.

Serão classificados para o CR do CNU o quantitativo de aprovados em duas vezes o número de vagas de cada bloco temático. As remunerações iniciais variam de R$4.666,24 a R$23.579,21. As contratações ocorrerão pelo regime estatutário.

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