Mesmo tendo realizado um concurso público com mais de 206 mil vagas temporárias e ter aberto uma série de editais complementares na sequência, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística continua enfrentando dificuldades para visitar o máximo de residências do país durante o Censo Demográfico. E um dos principais motivos para esse problema é justamente a falta de servidores. Desta forma, o instituto decidiu prorrogar o Censo até dezembro deste ano.
Balanço feito pelo IBGE divulgado no início da semana passada revela que desde o 1º de agosto, quando começou o Censo Demográfico, até 2 de outubro, apenas 104.445.750 cidadãos foram entrevistados, em 36.567.808 domicílios no país, quantitativo que representa quase metade da população estimada do Brasil. Para se ter uma ideia, a região mais populosa do país, o Sudeste, teve apenas 42% dos brasileiros entrevistados pelos recenseadores do país.
Somado ao baixo efetivo de profissionais trabalho na coleta de dados sobre a população brasileira, muitos servidores do IBGE têm reclamado que os pagamentos das remuneração estão atrasados. A própria autarquia havia explicado sobre essa questão numa coletiva de imprensa no fim de agosto que, durante o treinamento, o processo de pagamento dos recenseadores pode ter sido mal explicado.
Quando um recenseador termina o seu setor censitário e envia o processo para análise do supervisor, essa avaliação pode levar de três a dez dias corridos. Com a avaliação concluída e sem pendências do setor, o processo é enviado para o setor de Recursos Humanos do IBGE, que tem cinco dias úteis para aprovar e liberar o pagamento na conta deste recenseador. Ou seja, um recenseador pode levar até mais de 15 dias para ser remunerado.
O IBGE até começou a implementar o pagamento parcial para agilizar esse processo, porém, não foi suficiente para reduzir o déficit de servidores em determinados locais. Dados apontam que 95.448 temporários estão em ação, o que representa 52,2% do total de vagas para o cargo disponíveis.
Edital para efetivos previsto para 2023
A problemática perante a dificuldade de repor as vacâncias no Censo Demográfico acende o alerta também para o déficit de servidores efetivos no IBGE:
“O número insuficiente de servidores efetivos do IBGE tem resultado em um suporte inadequado ao pessoal temporário. Esses fatores estão diretamente relacionados aos problemas relatados pelos recenseadores”, afirmou a Associação e Sindicato Nacional dos Servidores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (ASSIBGE).
Em abril deste ano, o IBGE enviou um pedido de concurso ao Ministério da Economia para realizar um concurso com 2.503 vagas efetivas, distribuídas entre cargos que exigem níveis de escolarização médio e superior:
| Cargo | Escolaridade | Vagas | *Remuneração |
| Técnico de informações geográficas e estatística | Nível médio | 1.488 | R$3.890,87 |
| Analista de planejamento, gestão e infraestrutura e tecnologista em informações geográficas e estatísticas | Nível superior | 1.004 | R$8.213,07 |
| Pesquisador em informações geográficas e estatísticas | Nível superior | 11 | ** R$10.049,07 |
* Os valores estão baseados na Tabela de Remuneração dos Servidores Públicos Federais e já incluem R$458 de auxílio-alimentação.
** Valor pago para quem tem mestrado (exigência mínima para concorrer a pesquisador).
Na época em que confirmou esse pedido, o IBGE não havia revelado o quantitativo isolado para os cargos de analista e tecnologista.
A realização desse concurso para contratação de servidores efetivos seria importante para um órgão que possui um déficit de 7.270 cargos vagos em sua estrutura, sendo 4.790 somente carreiras contempladas no pedido de concurso, conforme revelou o site Dados.gov, além de haver déficit de 2.480 servidores também para técnico de planejamento, gestão e infraestrutura, que requer o nível médio, mas que não estará no próximo concurso.
Atualmente, o órgão trabalha com somente 4.238 funcionários. Mas o déficit no IBGE pode se ampliar em curto espaço de tempo, já que, segundo informou o próprio órgão, 25% do efetivo já apresentam condições de se aposentarem. Se isso acontecer, o IBGE poderá colapsar, prejudicando o trabalho dos agentes de pesquisas e a elaboração de políticas públicas. E até o momento, o Ministério da Economia não deu qualquer indicativo sobre quando concederá aval para esse certame.
De acordo com cronograma prévio também enviado ao Ministério da Economia, o IBGE pretendia receber a autorização do certame para efetivos já neste ano, para poder contratar a banca organizadora em janeiro de 2023, publicar o edital em fevereiro e aplicar as provas no mês seguinte, para poder dar posse aos aprovados já em maio.




